Esperança, Tempo

Quinteto

1
Tudo bem, eu te amo, é fato,
não como o vento que se esvai,
mas como o rio que segue exato,
em suas águas que jamais cai,
e que corre firme e exato.

2
O que se faz quando se está a amar?
Já nem sei, confesso o temor,
pois o coração não quer calar,
invasor de um doce ardor,
que só se sente ao palpitar.

3
Amor que não pergunta nada,
entra livre, sem permissão,
toma a alma e a deixa encantada,
como chama que aquece o chão,
em labaredas de madrugada.

4
Não poderia eu culpá-lo,
posto que és tão bela, amada,
luz que vem e ilumina o palco,
de uma vida apaixonada,
bela estrela no meu espaço.

5
Eu queria apenas perguntar,
se permites que eu venha amar,
e se acaso posso te abraçar,
ou se posso em teu rosto tocar,
um gesto que venha a declarar.

6
E se acaso possa te amar,
se o teu coração assim permitir,
então me deixo devotar,
em teu riso me consumir,
como a lua a noite a brilhar.

7
Pergunto se permites que te beije,
se o teu lábio é meu destino,
em segredo meu peito deseja,
como o sol deseja o caminho,
que a aurora desenha em tece.

8
Eu te amo, simples e profundo,
palavra que é todo meu ser,
não tem medida, não tem mundo,
só quer contigo florescer,
como jardim que é só teu fundo.

9
E nesse amor que não tem hora,
nem espaço, nem razão ou fim,
me perco, e o coração implora,
que me aceites assim, por mim,
amor que sempre se renova agora.

10
Tudo bem, eu te amo muito,
não como o dia que se vai,
mas como rios que seguem o fluxo,
em correnteza que nunca sai,
em teu coração, meu porto e luxo.

Esperança, Liberdade

O Amor e a Poesia

I

Como fulgor ao meio-dia, arde o amor,
No peito meu, que em ti, vida, se inflama;
E o coração, que em teu olhar reclama,
Lateja em fogo e em doce resplendor.

Do céu me vem, por ti, sublime ardor,
Que em sombra vira em luz que nunca acaba;
Pois tua voz, que o tempo em canto embala,
É chama eterna a consumir-me em flor.

Ah, vida minha, em ti renasce o dia,
E em noite escura brilhas como estrela;
És meu sossego e és também porfia.

E se o destino em pedra se revela,
Ainda em versos arde a poesia,
Que, amando, ao céu teus lábios me revela.

II

Em ti se fez meu sonho em chama acesa,
E o tempo, em ti, detém-se e me convida;
Na tua mão repousa a minha vida,
E o teu sorriso em flor me dá certeza.

Que doce é ver no olhar tua beleza,
Que em luz se esconde e em sombra esclarecida;
És minha aurora, em noite renascida,
És meu descanso e és minha fortaleza.

Do teu perfume embriaga-se o vento,
Que aos céus conduz meu canto em harmonia;
E em cada verso arde meu tormento.

Que seja a dor em glória convertida,
E que em amor se faça o sofrimento,
Pois és tu mesma a essência da poesia.

III

Na chama oculta o coração palpita,
E ao mundo todo o teu fulgor se espalha;
Na boca tua a vida se agasalha,
E em tua voz o céu cantar palpita.

Em cada riso teu minh’alma habita,
Em cada gesto teu a dor se cala;
E o coração, que ao teu suspiro embala,
De amor se veste e nunca se limita.

Se a noite vem, em ti renasce o dia,
Se a sombra cai, em ti fulgor floresce;
És meu começo e és minha poesia.

E o verso meu que em tua boca cresce,
De amor se faz, de dor e de alegria,
E ao mundo eterno em canto se enobrece.

IV

Por ti suspira o peito em chama acesa,
E o vento leve aos céus me leva a sorte;
Do teu olhar se fez a vida forte,
E a dor se fez em canto e em beleza.

Na tua mão se esconde a fortaleza,
E o coração, que ao teu calor recorre,
No teu suspiro acalma a própria morte,
E em ti renasce a glória da tristeza.

Que seja eterna a chama que me guia,
Que nunca cesse o fogo que em ti mora;
Em teu abraço a vida se inicia.

E o tempo, em ti, que tudo em luz devora,
Se faz eterno em verso e melodia,
Pois és em mim canção que não se cora.

V

No seio teu repousa a minha vida,
E em teu olhar encontro o meu descanso;
O coração, que em ti se fez manso,
De dor e medo em paz se vê despida.

Na boca tua a glória é dividida,
E o céu, que em ti se acende em luz, alcanço;
Pois és começo, meio e fim do pranto,
E és meu refrão em música sentida.

Se a dor em sombra o mundo me encobre,
Em ti clareia o sol da madrugada;
E a noite em ti jamais será tão nobre.

És tu, amada, em vida consagrada,
O canto meu que em verso nunca cobre,
A chama eterna em alma apaixonada.

VI

Em teu semblante o céu se fez morada,
E em teu sorriso a vida se recria;
Na voz que entoas, doce melodia,
Em dor e em gozo a alma é iluminada.

Se a sombra vem, em ti se faz alvorada,
Se o vento sopra, em ti se faz poesia;
E o coração, que em ti se enternecia,
No fogo arde em chama consagrada.

És tu, princesa, o sol que me aquece,
És tu, senhora, a estrela que me guia;
Em ti meu peito canta e resplandece.

E se em teu nome a vida principia,
Que em teu suspiro o mundo se enobrece,
Pois és em mim começo e fantasia.

VII

No teu olhar repousa o firmamento,
E o mundo todo em ti se fez pequeno;
No peito meu arde o desejo pleno,
E em teu sorriso mora o meu tormento.

De amor se faz em dor o pensamento,
De dor se faz em paz o passo ameno;
E o coração, que ao teu calor me aceno,
Em chama vive e em fogo se alimenta.

És tu, querida, a vida que persigo,
És tu, formosa, o sonho que me embala;
És tu, tão doce, o céu que está comigo.

E o verso meu, que em ti jamais se cala,
Se faz canção em riso e em perigo,
Se faz em ti a luz que me resvala.

VIII

De ti me vem a vida em fogo ardente,
De ti me vem o canto e a poesia;
No coração, que em chama se anuncia,
Em cada verso arde eternamente.

Na tua boca a paz se faz presente,
Na tua voz o céu se desafia;
E o tempo, em ti, se torna melodia,
Que em dor se cala e em gozo é tão fremente.

És minha luz, és minha eterna estrela,
És meu refrão, meu canto e minha sorte;
És minha vida, és minha centelha.

E se o destino em sombra me conforte,
Ainda em ti o céu virá trazê-la,
Pois és em mim mais forte que a morte.

IX

Em ti, princesa, a vida principia,
E o coração, em ti, se faz inteiro;
De ti me vem o sopro derradeiro,
De ti me vem o canto e a alegria.

No teu sorriso nasce a fantasia,
Na tua voz se oculta o mundo inteiro;
E o coração, que em ti se fez primeiro,
Em fogo arde e em chama se recria.

És tu, querida, a glória que me invade,
És tu, senhora, a paz que me consola;
És tu, formosa, a luz da eternidade.

E se o destino em sombra me desola,
Ainda em ti se faz a claridade,
Que em dor se cala e em riso me acolha.

X

No teu abraço o mundo se resume,
Na tua boca o céu se fez canção;
De ti me vem a vida em devoção,
De ti me vem o fogo que me consume.

Em cada riso teu minh’alma assume,
Em cada gesto teu a dor se põe;
E o coração, que em ti se fez tão bom,
De amor em chama ao mundo se acostume.

És minha estrela, és minha fantasia,
És meu descanso, és minha eterna sorte;
És meu começo, és minha poesia.

E se em teu nome a vida em mim se corte,
Ainda em versos arde a melodia,
Que me conduz ao céu, vencendo a morte.

Esperança, Sonhos

Brisa no Peito

Brisa suave vem,
Que ao peito traz saudade;
E no silêncio, além,
Choro tua verdade.

Doce olhar, minha luz,
Que a noite em flor desperta;
O meu amor conduz
Ao sonho que é tua oferta.

Em véus de doce ardor,
Meu peito só te chama;
És minha eterna chama,
Do céu o meu calor.

E se o destino ousar,
De ti jamais me aparta;
É minha a vida farta,
Que é tua e sabe amar.

Esperança, Tempo

Doce Ferida

Ferida em mim ficou
Por onde a brisa passa,
E em mim se derramou
Saudade que não cessa.

Teu riso me seduz,
Que a tarde faz mais bela,
Teu beijo é minha cruz,
E a vida em ti se vela.

Amada, vem me ouvir,
Que ao vento clamo agora;
Não deixes que se esgore
Meu tempo de sorrir.

E o tempo que me dá
O sopro que é só teu,
Me leva ao sonho meu
De ser quem te terá.

Esperança, Tempo

Ventos do Destino

Os ventos vão soprar,
No peito vão ficar;
Que a vida me renova
No sonho que me prova.

Que doce é te querer,
Que a noite vem trazer;
E em véus de fantasia,
Meu peito em ti se guia.

Amada, és meu norte,
Que ao tempo vence a sorte;
E o mundo ao teu redor
Reflete o meu amor.

Se a vida em ti se faz,
Meu peito é tua paz;
E o vento que me vem,
Só chama por teu bem.