Sonhos

Quarteto

1
Amada, és luz que me fascina,
Teu rosto é poema em suave tom,
Em teus lábios vejo a fonte divina,
Que ao coração traz doce dom.

2
O amor por ti é mais que ouro,
Mais precioso que a prata a brilhar,
Como jóia na coroa do tesouro,
Que faz a alma inteira sonhar.

3
Princesa, por que és tão bela?
Teus olhos são faróis a me guiar,
Enfeitiçou-me a luz mais singela,
Que só em teu encanto sei amar.

4
Não fico mais em mim, estou perdido,
Pois tua graça me tomou por inteiro,
E meu peito se entrega rendido,
Ao desejo que é meu companheiro.

5
A cabeça dá nó, o coração roda,
Os pensamentos giram sem cessar,
Tudo gira em torno de tua moda,
De beleza que me faz delirar.

6
Tão linda, tão sublime, tão serena,
Que até o tempo parece parar,
Tua imagem em mim sempre plena,
Me faz a vida inteira contemplar.

7
Culpado sou, sim, por este amor,
Que arde e que me mantém a sonhar,
Pois cada gesto teu, cada cor,
Faz minha alma inteira palpitar.

8
Seus lábios são pétalas suaves,
Que em meu desejo sempre florescem,
E os pensamentos, como aves,
Por teu encanto se fortalecem.

9
Oh, amada, a ti me entrego inteiro,
Não há defesa, não há voltar,
Pois és meu céu, meu mundo, meu celeiro,
Onde meu amor pode habitar.

10
Teus olhos são rios de luz clara,
Que me refletem em doce ilusão,
E cada olhar que a ti se declara,
Faz vibrar mais forte o meu coração.

11
Amada, se o destino nos separa,
Mesmo assim, guardarei tua cor,
Pois em meu peito teu nome dispara,
Como chama eterna de puro amor.

12
Assim vivo, perdido em teus encantos,
Sem remédio, sem medida, sem fim,
Mas feliz, pois teus olhos são tantos,
Que me prendem eternamente a ti.

Esperança, Tempo

Quinteto

1
Tudo bem, eu te amo, é fato,
não como o vento que se esvai,
mas como o rio que segue exato,
em suas águas que jamais cai,
e que corre firme e exato.

2
O que se faz quando se está a amar?
Já nem sei, confesso o temor,
pois o coração não quer calar,
invasor de um doce ardor,
que só se sente ao palpitar.

3
Amor que não pergunta nada,
entra livre, sem permissão,
toma a alma e a deixa encantada,
como chama que aquece o chão,
em labaredas de madrugada.

4
Não poderia eu culpá-lo,
posto que és tão bela, amada,
luz que vem e ilumina o palco,
de uma vida apaixonada,
bela estrela no meu espaço.

5
Eu queria apenas perguntar,
se permites que eu venha amar,
e se acaso posso te abraçar,
ou se posso em teu rosto tocar,
um gesto que venha a declarar.

6
E se acaso possa te amar,
se o teu coração assim permitir,
então me deixo devotar,
em teu riso me consumir,
como a lua a noite a brilhar.

7
Pergunto se permites que te beije,
se o teu lábio é meu destino,
em segredo meu peito deseja,
como o sol deseja o caminho,
que a aurora desenha em tece.

8
Eu te amo, simples e profundo,
palavra que é todo meu ser,
não tem medida, não tem mundo,
só quer contigo florescer,
como jardim que é só teu fundo.

9
E nesse amor que não tem hora,
nem espaço, nem razão ou fim,
me perco, e o coração implora,
que me aceites assim, por mim,
amor que sempre se renova agora.

10
Tudo bem, eu te amo muito,
não como o dia que se vai,
mas como rios que seguem o fluxo,
em correnteza que nunca sai,
em teu coração, meu porto e luxo.

Tempo

No Peito o Amor

Oi, minha doce paixão,
quero te falar, dizer,
que és meu bem, meu tesão,
e que eu sempre vou te ter.

O amor não escolhe hora,
nem decide onde estar,
ele chega e nos devora,
faz nosso peito amar.

Posso, então, te querer,
mesmo sem certo lugar?
Teu abraço me faz viver,
teu sorriso me faz sonhar.

Amor que não tem razão,
és a luz do meu coração.

Liberdade

Sobre as flores

Sobre as flores cai orvalho da estação,

Surge a manhã em teu suave olhar
Como quem espera o beijo, em ti repousa
Meu coração, preso à tua mão.
Do orvalho, bebem pétalas ao vento,
Canta novo cântico o passarinho,
Que teus lábios recorda, tua beleza,
Em cada som se dissolve o caminho.
E ao meu olhar, tua graça se revela,
Como primavera que desperta sozinho.

Quisera eu, apenas uma vez, tocar-te,
Ainda que breve fosse o tempo inteiro,
Pois meu amor é tesouro sem medida,
Mais que ouro ou joia do mundo inteiro.
Arde em meu peito chama que não cessa,
Em cada suspiro teu nome declaro,
Meu tudo, minha vida, meu encanto,
No silêncio de teu abraço me aclaro.
Mesmo a eternidade se curvaria
Ao toque do teu ser, doce e raro.

Desperta o sol e ilumina teu riso,
Curvam-se as flores diante da beleza,
Traz o vento leve teu perfume à manhã,
E embala a aura que exala tua gentileza.
Prende-se meu olhar à imagem tua,
Como tempo que suspende seu passo,
Nos braços teus encontro a ternura,
E o mundo se desfaz em teu abraço.
Fica, amada, eterna em meu caminho,
Que teu amor me guia e me faz espaço.

Quando a noite chega e silencia o dia,
Ainda ressoa em mim teu perfume,
Espelham-se estrelas em teus olhos,
Meu coração, em silêncio, te resume.
Mesmo se o tempo tentar nos separar,
Jamais se desfaz este amor profundo,
Cada gesto teu é luz que me conduz,
Cada beijo, eternidade no mundo.
Permanece comigo, amada, minha amada,
Teu amor é a força que sustenta o fundo.

Sonhos, Tempo

Soneto à Princesa Amada

I

Princesa amada, encanto da minha alma,
teu ser é luz que em minha vida brilha,
és tão formosa, mais do que se assinala,
teu riso é flor que o coração vigia.

Quisera ao menos ter teus lábios meus,
beijá-los uma vez, depois ainda,
guardar no peito a graça vinda dos céus,
na eternidade pura e tão bem-vinda.

E quando a noite quieta me envolve em paz,
só penso em ti, no quanto és meu querer,
em cada aurora o amor renasce mais.

Assim declaro, sem porquê dizer:
apenas amo, e amar já me refaz,
teu nome é canto doce de viver.


II

No peito nasce o amor sem me avisar,
não pede hora, espaço ou permissão,
é chama oculta pronta a iluminar,
um dom que cresce em pura devoção.

É como um filho eterno a florescer,
traz alegria ao coração que espera,
e cada gesto teu faz renascer
a primavera em plena noite austera.

Não sei dos modos, nem da explicação,
não cabe a lógica em tal sentimento,
que invade a vida e faz-se redenção.

É força imensa, eterno movimento,
que dá sentido ao meu viver em vão,
e torna em ouro o mais simples momento.


III

Feliz me sinto, pois te conheci,
és claridade em trevas tão profundas,
um sol radiante que brilhou por ti,
e fez cessar as sombras mais fecundas.

És porto certo em meio ao meu viver,
um lar sereno em mar de tempestade,
és calmaria em ondas de sofrer,
és doce canto em plena eternidade.

Por ti me ergo em cada amanhecer,
por ti me calo em horas de tristeza,
por ti me alegro ao simples florescer.

Amada és tu, rainha e fortaleza,
tua presença é tudo o que me é ser,
és minha vida, ó minha princesa.

Esperança, Liberdade

O Amor e a Poesia

I

Como fulgor ao meio-dia, arde o amor,
No peito meu, que em ti, vida, se inflama;
E o coração, que em teu olhar reclama,
Lateja em fogo e em doce resplendor.

Do céu me vem, por ti, sublime ardor,
Que em sombra vira em luz que nunca acaba;
Pois tua voz, que o tempo em canto embala,
É chama eterna a consumir-me em flor.

Ah, vida minha, em ti renasce o dia,
E em noite escura brilhas como estrela;
És meu sossego e és também porfia.

E se o destino em pedra se revela,
Ainda em versos arde a poesia,
Que, amando, ao céu teus lábios me revela.

II

Em ti se fez meu sonho em chama acesa,
E o tempo, em ti, detém-se e me convida;
Na tua mão repousa a minha vida,
E o teu sorriso em flor me dá certeza.

Que doce é ver no olhar tua beleza,
Que em luz se esconde e em sombra esclarecida;
És minha aurora, em noite renascida,
És meu descanso e és minha fortaleza.

Do teu perfume embriaga-se o vento,
Que aos céus conduz meu canto em harmonia;
E em cada verso arde meu tormento.

Que seja a dor em glória convertida,
E que em amor se faça o sofrimento,
Pois és tu mesma a essência da poesia.

III

Na chama oculta o coração palpita,
E ao mundo todo o teu fulgor se espalha;
Na boca tua a vida se agasalha,
E em tua voz o céu cantar palpita.

Em cada riso teu minh’alma habita,
Em cada gesto teu a dor se cala;
E o coração, que ao teu suspiro embala,
De amor se veste e nunca se limita.

Se a noite vem, em ti renasce o dia,
Se a sombra cai, em ti fulgor floresce;
És meu começo e és minha poesia.

E o verso meu que em tua boca cresce,
De amor se faz, de dor e de alegria,
E ao mundo eterno em canto se enobrece.

IV

Por ti suspira o peito em chama acesa,
E o vento leve aos céus me leva a sorte;
Do teu olhar se fez a vida forte,
E a dor se fez em canto e em beleza.

Na tua mão se esconde a fortaleza,
E o coração, que ao teu calor recorre,
No teu suspiro acalma a própria morte,
E em ti renasce a glória da tristeza.

Que seja eterna a chama que me guia,
Que nunca cesse o fogo que em ti mora;
Em teu abraço a vida se inicia.

E o tempo, em ti, que tudo em luz devora,
Se faz eterno em verso e melodia,
Pois és em mim canção que não se cora.

V

No seio teu repousa a minha vida,
E em teu olhar encontro o meu descanso;
O coração, que em ti se fez manso,
De dor e medo em paz se vê despida.

Na boca tua a glória é dividida,
E o céu, que em ti se acende em luz, alcanço;
Pois és começo, meio e fim do pranto,
E és meu refrão em música sentida.

Se a dor em sombra o mundo me encobre,
Em ti clareia o sol da madrugada;
E a noite em ti jamais será tão nobre.

És tu, amada, em vida consagrada,
O canto meu que em verso nunca cobre,
A chama eterna em alma apaixonada.

VI

Em teu semblante o céu se fez morada,
E em teu sorriso a vida se recria;
Na voz que entoas, doce melodia,
Em dor e em gozo a alma é iluminada.

Se a sombra vem, em ti se faz alvorada,
Se o vento sopra, em ti se faz poesia;
E o coração, que em ti se enternecia,
No fogo arde em chama consagrada.

És tu, princesa, o sol que me aquece,
És tu, senhora, a estrela que me guia;
Em ti meu peito canta e resplandece.

E se em teu nome a vida principia,
Que em teu suspiro o mundo se enobrece,
Pois és em mim começo e fantasia.

VII

No teu olhar repousa o firmamento,
E o mundo todo em ti se fez pequeno;
No peito meu arde o desejo pleno,
E em teu sorriso mora o meu tormento.

De amor se faz em dor o pensamento,
De dor se faz em paz o passo ameno;
E o coração, que ao teu calor me aceno,
Em chama vive e em fogo se alimenta.

És tu, querida, a vida que persigo,
És tu, formosa, o sonho que me embala;
És tu, tão doce, o céu que está comigo.

E o verso meu, que em ti jamais se cala,
Se faz canção em riso e em perigo,
Se faz em ti a luz que me resvala.

VIII

De ti me vem a vida em fogo ardente,
De ti me vem o canto e a poesia;
No coração, que em chama se anuncia,
Em cada verso arde eternamente.

Na tua boca a paz se faz presente,
Na tua voz o céu se desafia;
E o tempo, em ti, se torna melodia,
Que em dor se cala e em gozo é tão fremente.

És minha luz, és minha eterna estrela,
És meu refrão, meu canto e minha sorte;
És minha vida, és minha centelha.

E se o destino em sombra me conforte,
Ainda em ti o céu virá trazê-la,
Pois és em mim mais forte que a morte.

IX

Em ti, princesa, a vida principia,
E o coração, em ti, se faz inteiro;
De ti me vem o sopro derradeiro,
De ti me vem o canto e a alegria.

No teu sorriso nasce a fantasia,
Na tua voz se oculta o mundo inteiro;
E o coração, que em ti se fez primeiro,
Em fogo arde e em chama se recria.

És tu, querida, a glória que me invade,
És tu, senhora, a paz que me consola;
És tu, formosa, a luz da eternidade.

E se o destino em sombra me desola,
Ainda em ti se faz a claridade,
Que em dor se cala e em riso me acolha.

X

No teu abraço o mundo se resume,
Na tua boca o céu se fez canção;
De ti me vem a vida em devoção,
De ti me vem o fogo que me consume.

Em cada riso teu minh’alma assume,
Em cada gesto teu a dor se põe;
E o coração, que em ti se fez tão bom,
De amor em chama ao mundo se acostume.

És minha estrela, és minha fantasia,
És meu descanso, és minha eterna sorte;
És meu começo, és minha poesia.

E se em teu nome a vida em mim se corte,
Ainda em versos arde a melodia,
Que me conduz ao céu, vencendo a morte.

Esperança, Liberdade

Amanhecer

1

Bom dia, amada, amada minha e pura,
De ti saudade a vida me consome;
Na chama ardente o coração perdura,
E ao pronunciar-te, cresce o doce nome.

Do céu descido, o sol te faz figura,
Das rosas belas tomas cor e fome;
Do vento leve, a música segura,
E dos perfumes, tu te fazes dome.

Querer-te tanto, amor, já me condena,
Pois mais que lírios és em doce encanto,
E mais que o campo em júbilo sereno.

Mas se me ouves, dá-me o bem que canto:
Nos lábios teus repousa a paz amena,
Nos olhos teus se acende o lume santo.

2

De ti, Princesa, a luz ao céu levanta,
Na voz suave encontro o dom divino;
E a noite escura, em teu olhar, se encanta,
Como o luar se aninha em cristalino.

Do beijo teu, minh’alma se agiganta,
Do som do riso, nasce o meu destino;
Na flor oculta, o orvalho se adianta,
No peito meu teu nome é peregrino.

Oh, deixa, amada, eu ser o teu cativo,
De Deus favor maior não conheci;
Que ao ter-te perto, em tudo estou mais vivo.

A ti me entrego, e mais além vivi:
Em teu abraço, o mundo é mais altivo,
E em tua voz, repousa o que perdi.

3

Perfume és tu, do campo a primavera,
Mais bela e rara que o jardim inteiro;
De ti o lírio inveja a nobre esfera,
De ti suspira o vento mais ligeiro.

E quem te vê, Princesa, logo espera
Beber do riso teu o dom primeiro;
De tuas mãos, a graça se venera,
De teu andar se faz caminho inteiro.

Deixa-me ao menos um instante ver-te,
No som dos lábios teu consolo encontro,
E no silêncio teu já quero ser-te.

Se amor é dor, em ti, já sei o quanto;
Mas se é viver, contigo hei de viver-te,
Pois do teu nome vive o meu encanto.

4

Amada, fala, ao menos, uma palavra,
Que tua voz me salva e me sustenta;
Da boca tua a música se lavra,
Do sopro doce a vida se apresenta.

Sem ti, Princesa, a solidão me lavra,
E a dor, qual fera, o peito me atormenta;
Mas no pensar de ti, minh’alma em lavra
De flores brota e o coração contenta.

No olhar teu vejo as chamas do infinito,
No passo teu, a força de Amazonas,
No riso teu, o céu já mais bonito.

Se em teus braços caí com mil razões,
Foi do amor o peso que me deu o rito:
Tontear no ardor de tuas perfeições.

5

Mais linda és tu que o sol na tarde calma,
Mais forte és tu que as águas no oceano;
Em ti se move o coração e a alma,
E em ti se cumpre o mais sagrado plano.

Doçura és tu, que os céus na terra embalsama,
Tesouro és tu, de Deus perfeito engano;
Rainha és tu que ao rei do amor reclama,
Princesa és tu que ao mundo é soberano.

Oh, deixa o beijo ser meu alimento,
Deixa o perfume teu guiar meus passos,
Deixa-me ser do teu viver o intento.

Que se não posso ter-te em meus abraços,
Ainda no sonho guardo o pensamento,
E em teu amor descanso em doces laços.

6

Te amo, amada, em versos infinitos,
Como amam poetas nas eternas rimas;
Em ti repousam sonhos tão benditos,
Em ti florescem flores tão sublimes.

Doce és tu que em cantos inauditos
Fazes dos céus a música das cimas;
No olhar guardado, brilham os conflitos,
Na voz guardada, as notas mais íntimas.

Quisera eu ter-te inteira por destino,
Quisera ser teu servo mais fiel,
Quisera andar contigo o mesmo hino.

Mas já me basta ouvir-te o som tão doce,
Pois no sussurro teu se esconde o céu,
E em cada beijo teu meu ser se adoce.

7

Amada, és sol que os dias ilumina,
E lua és tu que as noites me consola;
De ti me vem a luz que não termina,
De ti me vem a paz que me desola.

Tu és das rosas a cor mais cristalina,
Tu és da terra a joia que me acola;
Na força tua, a chama se destina,
Na graça tua, a vida me desola.

Mas se me ouves, peço: dá-me o abraço,
Pois nele encontro a vida redimida,
Pois nele sinto eterno e doce laço.

E se de Deus favor é ter-te, amada,
Então já tenho a glória merecida,
Pois no teu nome a eternidade é dada.

8

Das Amazonas tens, Princesa, a ousadia,
Do céu tens tu a luz que em tudo invade;
De ti, mulher, me vem a valentia,
E de teus olhos nasce a liberdade.

No passo firme, o mundo desafia,
Na voz tão doce, habita a suavidade;
No teu amor se cumpre a profecia,
No teu calor se apaga a tempestade.

Mas se em teus braços tonto me entreguei,
Foi do amor o sopro que me derrubou,
E em teu regaço todo me encontrei.

Se vida nova o coração buscou,
Foi no teu beijo o céu que já ganhei,
Foi na tua alma o sol que me chamou.

9

Do teu perfume vive a primavera,
Do teu sorriso nasce o canto forte;
De ti, Princesa, a vida mais se espera,
De ti, querida, vem o meu suporte.

Teu nome é chama que jamais se altera,
Teu ser é fonte de imortal consorte;
E se em meus versos tanto amor se gera,
É porque em ti se encontra o meu norte.

Vem, deixa o beijo ser-me eterno abrigo,
Deixa a palavra ser-me doce alento,
Deixa que eu viva sempre junto contigo.

E se é de Deus o dom de tal momento,
Agradecer-Lhe quero em ti, meu hino,
Pois do teu amor eu sou puro instrumento.

10

Amada minha, amada e tão formosa,
Tu és a vida e o sonho em mim guardado;
És mais que lírio, mais que a própria rosa,
És mais que o tempo em júbilo sagrado.

És tu, Princesa, a estrela luminosa,
És tu, querida, o encanto celebrado;
Doce és, suave e sempre tão cheirosa,
Doçura és tu, de Deus o dom amado.

E ao te pensar, meu peito se levanta,
E ao te chamar, minha alma se consome,
E ao te querer, minh’alma se encanta.

Que ao pronunciar tão doce e belo nome,
Em cada verso, o coração já canta:
Amada minha, eterno é teu renome.

Esperança, Liberdade

Olhar de Seda

De seda é teu olhar,
Que à dor me adormece;
Que ao peito faz calar,
E o amor me enriquece.

Que doce é teu sorrir,
Que ao mundo desfalece;
Meu céu é teu florir,
Que a vida em mim aquece.

Amor, de ti não fujo,
Que o tempo só me prende;
E em ti meu sonho estende
A luz do afeto puro.

Se é meu destino amar,
Amar-te é meu tesouro;
E bebo o teu decoro
No vento, em todo o mar.

Esperança, Tempo

Ventos do Destino

Os ventos vão soprar,
No peito vão ficar;
Que a vida me renova
No sonho que me prova.

Que doce é te querer,
Que a noite vem trazer;
E em véus de fantasia,
Meu peito em ti se guia.

Amada, és meu norte,
Que ao tempo vence a sorte;
E o mundo ao teu redor
Reflete o meu amor.

Se a vida em ti se faz,
Meu peito é tua paz;
E o vento que me vem,
Só chama por teu bem.