Amizade

Sopro

Os ventos brincavam com teus longos fios, e a tarde dourava teu rosto tão belo.
No peito explodia canção de desejo, chamando-me sempre ao calor de teu zelo.
As aves calavam ao ver-te passando, e o mundo parava no doce flagelo.
E o riso surgia de dentro da terra, tornando o deserto um suave castelo.

Teus dedos tocavam meu rosto em ternura, e o corpo se erguia qual fonte de chama.
Os céus se abriam, as nuvens corriam, e a noite se enchia de luz que se inflama.
E o sonho nascia no meio da estrada, tornando o presente um caminho de fama.
E a vida sorria ao sentir teu abraço, que faz do sofrer um prazer que proclama.

No toque dos fios senti teu perfume,
E o peito queimava qual sol no estio, lume
Que nunca se apaga, que arde constante.

E o beijo primeiro roubou-me o sentido,
Deixando minh’alma num sonho perdido,
Que corre no peito qual rio incessante.

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