Esperança, Tempo

O Mar e o Amor

I
Profundo amor no coração conflui,
Do mar porção se fez tão semelhante.
Dos pensamentos contorno flui,
Na rocha firme o flanco é constante.

Quem sabe aos montes saltos conduziu,
Com precisão princesa vigilante.
Na dança a força a amazona traduziu,
No brio agreste da visão brilhante.

Assim pintada a tua fisionomia,
Nos quadros altos do pincel da poesia.

Do amor detalhe e da paixão em flor,
Nas linhas doces se escreveu calor.

II
O mar teus lábios como flor me traz,
Teu olhar claro me conduz à paz.
Maciez suave em tuas mãos repousa,
No rosto sério o riso se decompôs-a.

Da vida bela és essência pura,
Na graça intensa a eternidade dura.
No sol radiante tua face arde,
No gesto simples o universo aguarde.

Assim teu vulto em mim se fez presente,
Na aurora clara de um amor latente.

No sopro breve a minha voz te chama,
Na chama viva resplandeceu-me a chama.

III
Canção queria aos teus ouvidos dar,
Voz delicada para em ti ficar.
Te amo eu tanto como o mar se inflama,
Na praia brava quando a onda clama.

Impetuoso o canto se levanta,
No peito ardente a chama nunca é tanta.
Corrente forte em teu regaço se une,
Do céu ao tempo teu fulgor se mune.

E assim se fez da música ternura,
No vento breve que a paixão murmura.

Quebrar-se o mar em ondas sem medida,
Quebrar-me eu quero em ti por toda vida.

IV
Saudade tenho porque amor guardou,
Em mim guardado sonho despertou.
Descobri o mundo ao te encontrar,
Na chama intensa sempre a te buscar.

Aqui estou, tão perto de teu lado,
Na dor distante, no anseio apaixonado.
Aí queria teu abraço receber,
No sol do instante em ti me renascer.

Em teu descanso achei-me em pleno encanto,
Na dor me escondo, mas em ti me planto.

Assim me guia teu olhar radioso,
No ser perdido, no destino ansioso.

V
Ao lado teu sonhar desejo novo,
Com cânticos de amor, suave povo.
Suspiros leves elevou-me o ar,
E em teu mistério me pus a habitar.

Explica, amada, a dor que me consome,
Em ti perdi-me, em mim já não há nome.
Que aconteceu comigo ao me encontrar?
Por que em teu brilho fui me despojar?

Sem mim já vivo, mas em ti existo,
Nos véus da vida teu fulgor conquisto.

Perdido estou, mas em teu peito achei,
A vida toda que em mim busquei.

VI
É tão bom ser levado pelo encanto,
Na chama tua repousar meu pranto.
Na voz suave o coração se perde,
E o sopro doce em teu silêncio verde.

Calor suave em teu abraço guarda,
Em mim a vida por teus lábios tarda.
E na distância o sonho se mantém,
Na espera longa a eternidade vem.

Tão simples coisa em mim tão grande soa,
No mar profundo a corrente me abençoa.

Na chama branda do teu amor divino,
Cumpriu-se em mim o mais sagrado hino.

VII
Aqui estou firme e ainda em ti espero,
Na dor constante teu amor venero.
Enquanto o tempo em mim se desfaz,
No teu silêncio encontro nova paz.

Correr queria às ondas do oceano,
Buscar teus lábios como meu engano.
Beijar teus beijos como sol ardente,
Guardar-me inteiro em ti, puro presente.

Amada esposa, no teu colo guardo,
O amor eterno no destino fardo.

Em cada sopro em ti renasço inteiro,
E no teu seio canto verdadeiro.

VIII
Certeza tua sobre tudo alcança,
Em teu saber a vida fez-se herança.
Nos braços teus me entrego sem temores,
E em teu regaço florescem minhas flores.

Na entrega pura o coração descansa,
Na fé tão clara a eternidade avança.
Do céu caído em ti me resgatei,
Na dor vivida em paz me transformei.

Assim se faz da entrega a própria sorte,
Na chama eterna que a paixão suporte.

Em ti meu tudo, em ti minha ventura,
E em tua vida a minha se assegura.

IX
O tempo o que é senão correr ligeiro,
Na sombra clara do destino inteiro?
Corrente forte de águas que se vão,
Levando os sonhos para o vasto chão.

Se passa o tempo, deixa que se corra,
Ao mar profundo toda dor socorra.
Ali contigo quero me encontrar,
E sem temores todo amor te dar.

Intrepidez em meu desejo arde,
E em ti me guardo sem temer a tarde.

No anseio oculto minha voz espera,
Na eternidade a chama se tempera.

X
Do ser profundo ergue-se chama viva,
Na fé constante minha dor cativa.
Em ti desejo o mundo se resume,
E a luz eterna de paixão se assume.

Com esperança guardo a chama acesa,
No mar do amor me guia tua beleza.
E se contido em meu íntimo anseio,
No sopro leve tua voz recreio.

Na eternidade espero teu carinho,
E em teu abraço me refaço o ninho.

Assim na vida tudo se conclui,
Na chama eterna o amor se restitui.

Soneto XI
Do mar profundo a força me conduz,
Do teu olhar recebe a clara luz.
Em cada onda sinto teu chamado,
No céu brilhante guardo o teu cuidado.

Na praia vasta quero em ti deitar,
Na chama viva quero repousar.
No sopro brando tua voz se fez,
No coração guardou-se tua vez.

Assim se fez da vida um só caminho,
De teu abraço fez-se meu destino.

Na eternidade quero em ti morar,
E no teu peito quero me guardar.

XII
O mar tão largo em mim se fez morada,
Na dor oculta a vida foi lavrada.
Em ti se ergue meu desejo eterno,
No fogo aceso me aqueceste o inverno.

Dos céus caídos floresceu meu canto,
Na dor guardada revelou-se encanto.
E em tua face todo bem se achou,
Na eternidade teu fulgor brilhou.

Assim no tempo tudo se resume,
Na luz ardente que do amor se assume.

Do mar profundo teu amor me guia,
E em tua graça resplandeceu-me a via.

XIII
O coração nas ondas se dissolveu,
Na voz do vento todo amor nasceu.
Em ti guardado sinto minha vida,
Na dor perdida, em paz restituída.

Do mar constante tua voz soou,
Na eternidade o canto me embalou.
E no horizonte tua face vi,
Na chama eterna sempre renasci.

Do sopro brando a eternidade veio,
No coração guardou-se todo anseio.

Na fé constante teu amor me prende,
Na luz do céu teu brilho me defende.

XIV
Na dor presente tua voz me ergueu,
Na sombra clara teu fulgor nasceu.
Do mar profundo tua força ardeu,
E em mim guardado teu calor viveu.

Em ti me entrego sem temer o nada,
Na vida inteira foste minha estrada.
No coração fizeste tua tenda,
Na luz eterna o amor já me compreenda.

Assim se fez o canto verdadeiro,
Na dor vencida revelou-se inteiro.

Na fé constante guardo a chama tua,
E em mim a vida se refaz tão nua.

XV
Na noite clara teu olhar brilhou,
E em mim perdido teu amor ficou.
Do céu caído tua voz chamou,
Na dor sentida teu calor reinou.

Em cada passo tua luz segui,
No mar da vida sempre renasci.
E no horizonte tua face vi,
Na chama ardente sempre me perdi.

Do vento brando tua voz soou,
Na eternidade teu fulgor guiou.

Do sol ardente tua graça veio,
Na fé guardada consumou-se o anseio.

XVI
Na dor do tempo teu amor venci,
Na fé guardada sempre me perdi.
Do mar constante tua voz surgiu,
Na chama ardente todo ser fluiu.

Em cada onda tua face vejo,
No sopro brando se cumpre o desejo.
No sol brilhante tua luz se fez,
Na eternidade guardo tua vez.

Assim se cumpre o canto do viver,
Na fé constante o mundo se refazer.

E em teu abraço todo céu se abriu,
E em teu cuidado minha dor fugiu.

XVII
Do céu descendo tua luz me chama,
Na chama eterna guardo tua chama.
Do mar profundo tua voz me guia,
Na fé constante guardo tua alegria.

Em ti se ergue minha vida inteira,
Na dor vencida tua paz primeira.
Do vento leve tua graça veio,
Na fé constante consumou-se o anseio.

Assim me guias pelo eterno chão,
Na vida clara sinto o coração.

E no teu colo quero repousar,
E no teu peito quero eternizar.

XVIII
Na dor perdida tua voz soou,
Do mar profundo tua paz brotou.
Na fé constante guardo teu amor,
Na eternidade sinto teu calor.

Do sol ardente tua face vi,
Na chama eterna sempre renasci.
Do vento brando tua voz ouvi,
No coração teu nome sempre li.

Assim no tempo tudo se resume,
Na luz do amor que a vida se assume.

Do mar constante tua graça vem,
Na fé guardada sempre me convém.

XIX
Na fé guardada tua voz me trouxe,
Do mar constante tua paz me adouce.
Em ti guardado sinto o meu viver,
Na chama eterna sempre renascer.

Do sol brilhante tua face veio,
Na fé constante consumou-se o anseio.
Do céu caído tua luz brilhou,
Na eternidade teu fulgor guiou.

Assim no canto toda vida cabe,
No sopro brando tua voz se sabe.

Do mar profundo tua graça reina,
E em teu cuidado toda dor se alheia.

XX
Do mar profundo ergueu-se amor tão forte,
Na fé constante consumou-se a sorte.
Em ti guardado todo sonho existe,
Na chama eterna todo bem persiste.

Do vento leve tua voz soou,
Na eternidade teu fulgor reinou.
Do céu brilhante tua face arde,
Na fé constante nunca mais me tarde.

Assim concluo o canto derradeiro,
Do mar profundo nasce o amor inteiro.

Em ti me guardo, esposa, eternamente,
No amor sagrado vivo plenamente.

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