I
Princesa amada, encanto da minha alma,
teu ser é luz que em minha vida brilha,
és tão formosa, mais do que se assinala,
teu riso é flor que o coração vigia.
Quisera ao menos ter teus lábios meus,
beijá-los uma vez, depois ainda,
guardar no peito a graça vinda dos céus,
na eternidade pura e tão bem-vinda.
E quando a noite quieta me envolve em paz,
só penso em ti, no quanto és meu querer,
em cada aurora o amor renasce mais.
Assim declaro, sem porquê dizer:
apenas amo, e amar já me refaz,
teu nome é canto doce de viver.
II
No peito nasce o amor sem me avisar,
não pede hora, espaço ou permissão,
é chama oculta pronta a iluminar,
um dom que cresce em pura devoção.
É como um filho eterno a florescer,
traz alegria ao coração que espera,
e cada gesto teu faz renascer
a primavera em plena noite austera.
Não sei dos modos, nem da explicação,
não cabe a lógica em tal sentimento,
que invade a vida e faz-se redenção.
É força imensa, eterno movimento,
que dá sentido ao meu viver em vão,
e torna em ouro o mais simples momento.
III
Feliz me sinto, pois te conheci,
és claridade em trevas tão profundas,
um sol radiante que brilhou por ti,
e fez cessar as sombras mais fecundas.
És porto certo em meio ao meu viver,
um lar sereno em mar de tempestade,
és calmaria em ondas de sofrer,
és doce canto em plena eternidade.
Por ti me ergo em cada amanhecer,
por ti me calo em horas de tristeza,
por ti me alegro ao simples florescer.
Amada és tu, rainha e fortaleza,
tua presença é tudo o que me é ser,
és minha vida, ó minha princesa.
