- Ao meio-dia, o sol fulgura ardente,
- Tal é por ti meu fogo incandescente.
- Nos céus da alma a chama se levanta,
- E em ti repousa, luz que nunca espanta.
- Na noite escura, em sombra tão fechada,
- Teu nome é estrela, a guia desejada.
- A sombra rompe o facho que é meu peito,
- Por ti resplende o lume, amor perfeito.
- Saudade amarga em pranto me devora,
- E o coração por ti suspira agora.
- Nos ares solto o grito que me inflama,
- És tu, esposa, o alento de minh’alma.
- Se o tempo voa, em ti não passa a hora,
- Pois te desejo além da noite e aurora.
- De amor eterno é feita a minha essência,
- Que a ti se curva em doce reverência.
- Do céu desce o clarão quando te vejo,
- É tempestade e paz no mesmo ensejo.
- Ao chão se dobra a flor que o vento move,
- Tal como eu caio ao teu olhar que aprova.
- Em ti se prende a vida que possuo,
- O amor por ti me faz do mundo nu.
- Se o sol se apaga e a lua se retira,
- Teu brilho resta e em mim jamais se expira.
- Nos mares altos, vaga que não cansa,
- És tu por mim, razão da esperança.
- Ao vento clamo o nome teu sagrado,
- E em cada sopro o sinto revelado.
- No espaço imenso o som do amor ecoa,
- E a ti conduz minh’alma que se doa.
- Se o tempo ruge, em pó se esvai a vida,
- Teu rosto fica em mim como guarida.
- Do sol o lume em ti se faz pequeno,
- Pois maior brilha o amor em meu terreno.
- Do céu caindo, a estrela se reparte,
- Mas tu ficas, eterna em minha arte.
- Se o vento corta o peito em noite fria,
- Teu nome acende a chama que me guia.
- Em dor maior, saudade em mim se assenta,
- Mas és consolo, luz que me sustenta.
- Em ti repousa a força que me move,
- Que o mundo inteiro em ti de amor se prove.
- Por ti suspiro, e cada vez mais fundo,
- Pois és, esposa, o sol do meu segundo.
- Do rio as águas correm sem destino,
- Mas para ti se curva meu caminho.
- Nos céus azuis, as aves vão em bando,
- E em ti meus sonhos vivem se aninhando.
- Ao chão caído, o lírio me recorda
- O beijo teu que o tempo não me poda.
- Em cada flor respiro tua essência,
- Que em mim floresce em pura reverência.
- Se o sol declina, em ti se ergue a chama,
- Que não se apaga, eterna, em mim proclama.
- Do céu ao mar, teu nome em tudo encontro,
- E em cada canto o entoo em meu confronto.
- Se a noite é fria, em ti se abriga a vida,
- Em ti se aquece a carne entristecida.
- De amor a sede em mim jamais se cala,
- Pois tua voz em rios se derrama.
- No céu deserto, o vento em dor se perde,
- Mas teu olhar em mim se faz tão verde.
- Do orvalho terno a gota que me toca,
- É o teu beijo em mim que sempre evoca.
- No espaço imenso, em trevas mergulhado,
- És tu a luz que nunca me há faltado.
- Ao mundo inteiro em ti se apaga o véu,
- Pois tu és sol mais puro do que o céu.
- Se a vida é breve, em ti se faz eterna,
- Em tua face a paz, em chama interna.
- Em ti repousa a dor que se desfaz,
- E o coração em ti descansa em paz.
- Do tempo rude, a foice nada toma,
- Pois teu amor em mim jamais se doma.
- Em cada instante, o fogo se renova,
- E a tua imagem o peito meu aprova.
- Se a lua brilha, em ti maior se faz,
- Pois tua luz em tudo é mais audaz.
- Do céu desce a canção que a vida entoa,
- Em ti ressoa a música que abençoa.
- Do mar profundo, a onda se levanta,
- Mas teu amor em mim mais alto encanta.
- Nos céus se abre o vento em tempestade,
- Mas teu abraço é paz e suavidade.
- Se a noite escura em trevas me consome,
- Por ti me ergo em vida e doce nome.
- Em ti repousa a chama do meu ser,
- Que em mil suspiros sabe renascer.
- Do sol a força em ti se multiplica,
- Em teu olhar o mundo todo fica.
- Por ti me entrego em vida tão inteira,
- Que nada ao tempo pode ser barreira.
- Do amor em mim o tempo não retira,
- Pois em teu rosto a eternidade gira.
- Em ti se prende a voz do coração,
- E em mim transborda toda a devoção.
- Saudade amarga em mim se faz tão forte,
- Mas és em tudo estrela do meu norte.
- Do mundo inteiro és sol que me conduz,
- E em ti resplende eterno amor, minha luz.
