I
Como fulgor ao meio-dia, arde o amor,
No peito meu, que em ti, vida, se inflama;
E o coração, que em teu olhar reclama,
Lateja em fogo e em doce resplendor.
Do céu me vem, por ti, sublime ardor,
Que em sombra vira em luz que nunca acaba;
Pois tua voz, que o tempo em canto embala,
É chama eterna a consumir-me em flor.
Ah, vida minha, em ti renasce o dia,
E em noite escura brilhas como estrela;
És meu sossego e és também porfia.
E se o destino em pedra se revela,
Ainda em versos arde a poesia,
Que, amando, ao céu teus lábios me revela.
II
Em ti se fez meu sonho em chama acesa,
E o tempo, em ti, detém-se e me convida;
Na tua mão repousa a minha vida,
E o teu sorriso em flor me dá certeza.
Que doce é ver no olhar tua beleza,
Que em luz se esconde e em sombra esclarecida;
És minha aurora, em noite renascida,
És meu descanso e és minha fortaleza.
Do teu perfume embriaga-se o vento,
Que aos céus conduz meu canto em harmonia;
E em cada verso arde meu tormento.
Que seja a dor em glória convertida,
E que em amor se faça o sofrimento,
Pois és tu mesma a essência da poesia.
III
Na chama oculta o coração palpita,
E ao mundo todo o teu fulgor se espalha;
Na boca tua a vida se agasalha,
E em tua voz o céu cantar palpita.
Em cada riso teu minh’alma habita,
Em cada gesto teu a dor se cala;
E o coração, que ao teu suspiro embala,
De amor se veste e nunca se limita.
Se a noite vem, em ti renasce o dia,
Se a sombra cai, em ti fulgor floresce;
És meu começo e és minha poesia.
E o verso meu que em tua boca cresce,
De amor se faz, de dor e de alegria,
E ao mundo eterno em canto se enobrece.
IV
Por ti suspira o peito em chama acesa,
E o vento leve aos céus me leva a sorte;
Do teu olhar se fez a vida forte,
E a dor se fez em canto e em beleza.
Na tua mão se esconde a fortaleza,
E o coração, que ao teu calor recorre,
No teu suspiro acalma a própria morte,
E em ti renasce a glória da tristeza.
Que seja eterna a chama que me guia,
Que nunca cesse o fogo que em ti mora;
Em teu abraço a vida se inicia.
E o tempo, em ti, que tudo em luz devora,
Se faz eterno em verso e melodia,
Pois és em mim canção que não se cora.
V
No seio teu repousa a minha vida,
E em teu olhar encontro o meu descanso;
O coração, que em ti se fez manso,
De dor e medo em paz se vê despida.
Na boca tua a glória é dividida,
E o céu, que em ti se acende em luz, alcanço;
Pois és começo, meio e fim do pranto,
E és meu refrão em música sentida.
Se a dor em sombra o mundo me encobre,
Em ti clareia o sol da madrugada;
E a noite em ti jamais será tão nobre.
És tu, amada, em vida consagrada,
O canto meu que em verso nunca cobre,
A chama eterna em alma apaixonada.
VI
Em teu semblante o céu se fez morada,
E em teu sorriso a vida se recria;
Na voz que entoas, doce melodia,
Em dor e em gozo a alma é iluminada.
Se a sombra vem, em ti se faz alvorada,
Se o vento sopra, em ti se faz poesia;
E o coração, que em ti se enternecia,
No fogo arde em chama consagrada.
És tu, princesa, o sol que me aquece,
És tu, senhora, a estrela que me guia;
Em ti meu peito canta e resplandece.
E se em teu nome a vida principia,
Que em teu suspiro o mundo se enobrece,
Pois és em mim começo e fantasia.
VII
No teu olhar repousa o firmamento,
E o mundo todo em ti se fez pequeno;
No peito meu arde o desejo pleno,
E em teu sorriso mora o meu tormento.
De amor se faz em dor o pensamento,
De dor se faz em paz o passo ameno;
E o coração, que ao teu calor me aceno,
Em chama vive e em fogo se alimenta.
És tu, querida, a vida que persigo,
És tu, formosa, o sonho que me embala;
És tu, tão doce, o céu que está comigo.
E o verso meu, que em ti jamais se cala,
Se faz canção em riso e em perigo,
Se faz em ti a luz que me resvala.
VIII
De ti me vem a vida em fogo ardente,
De ti me vem o canto e a poesia;
No coração, que em chama se anuncia,
Em cada verso arde eternamente.
Na tua boca a paz se faz presente,
Na tua voz o céu se desafia;
E o tempo, em ti, se torna melodia,
Que em dor se cala e em gozo é tão fremente.
És minha luz, és minha eterna estrela,
És meu refrão, meu canto e minha sorte;
És minha vida, és minha centelha.
E se o destino em sombra me conforte,
Ainda em ti o céu virá trazê-la,
Pois és em mim mais forte que a morte.
IX
Em ti, princesa, a vida principia,
E o coração, em ti, se faz inteiro;
De ti me vem o sopro derradeiro,
De ti me vem o canto e a alegria.
No teu sorriso nasce a fantasia,
Na tua voz se oculta o mundo inteiro;
E o coração, que em ti se fez primeiro,
Em fogo arde e em chama se recria.
És tu, querida, a glória que me invade,
És tu, senhora, a paz que me consola;
És tu, formosa, a luz da eternidade.
E se o destino em sombra me desola,
Ainda em ti se faz a claridade,
Que em dor se cala e em riso me acolha.
X
No teu abraço o mundo se resume,
Na tua boca o céu se fez canção;
De ti me vem a vida em devoção,
De ti me vem o fogo que me consume.
Em cada riso teu minh’alma assume,
Em cada gesto teu a dor se põe;
E o coração, que em ti se fez tão bom,
De amor em chama ao mundo se acostume.
És minha estrela, és minha fantasia,
És meu descanso, és minha eterna sorte;
És meu começo, és minha poesia.
E se em teu nome a vida em mim se corte,
Ainda em versos arde a melodia,
Que me conduz ao céu, vencendo a morte.
